Hellen Couto é selecionada para projeto literário internacional que levará escritoras brasileiras a Paris e Milão.

Autora, terapeuta, psicanalista e empresária de Juiz de Fora participará da coletânea “Vem pro palco” e lançará seu primeiro livro solo na Europa

Por Hellen Couto

A literatura brasileira está prestes a atravessar novas fronteiras — e, para mim, essa travessia tem um significado profundamente especial. Fui selecionada para integrar o projeto literário internacional “Vem pro palco”, uma iniciativa da Editora Perensin em parceria com a escritora Júlia Horta, que reunirá mulheres de diferentes regiões do Brasil e de outros países em uma programação cultural na Europa.1

O projeto terá início em Paris, no dia 5 de setembro de 2026, e seguirá para Milão. Com 1.342 inscrições no processo seletivo, a iniciativa escolheu mulheres que se destacam em suas áreas de atuação para compartilhar suas histórias, conhecimentos e experiências em palcos internacionais.1

Para mim, fazer parte desse movimento representa mais do que participar de uma agenda de lançamentos. É a concretização de uma trajetória construída com propósito, escuta, estudo e compromisso com o desenvolvimento humano. É também a oportunidade de levar a minha voz, a minha escrita e a minha forma de compreender a vida para além dos limites geográficos de Juiz de Fora.

Uma história que sai do papel e chega ao mundo

Durante a turnê, participarei da coletânea “Vem pro palco em Paris” e realizarei o lançamento internacional do meu primeiro livro solo, “História Triste Todo Mundo Tem. O Que Você Faz com a Sua?”.

O título nasceu de uma pergunta que atravessa diferentes momentos da existência: todos nós carregamos dores, perdas, medos e experiências difíceis, mas o que fazemos com aquilo que nos aconteceu? A proposta do livro é convidar o leitor a olhar para a própria história com mais consciência, responsabilidade e possibilidade de transformação.

Como terapeuta, psicanalista, escritora e empresária, acredito que as histórias não precisam ser negadas para serem ressignificadas. Muitas vezes, o primeiro passo para uma mudança verdadeira é reconhecer aquilo que nos marcou e escolher, com coragem, o que faremos a partir daí.

Levar essa mensagem para Paris e Milão, ao lado de tantas mulheres, é uma experiência que une realização pessoal, expressão literária e compromisso com outras pessoas que também buscam compreender a própria caminhada.

Juiz de Fora no mapa da cultura internacional

O “Vem pro palco” também evidencia a força da produção cultural que nasce em Juiz de Fora. O projeto foi idealizado por Rafaela Perensin, fundadora da Editora Perensin, em parceria com Júlia Horta — ambas juiz-foranas. A cidade também estará representada por Luciana Sagioro, bailarina da Ópera de Paris e primeira bailarina brasileira aprovada na instituição, que participará do evento como convidada especial.1

A presença de Luciana reforça o diálogo entre literatura, dança e outras formas de expressão artística. Ao mesmo tempo, a participação de autoras brasileiras em uma programação internacional mostra como iniciativas locais podem criar pontes, gerar oportunidades e valorizar a economia criativa produzida fora dos grandes centros tradicionais.

É motivo de orgulho perceber que um projeto concebido em Juiz de Fora alcança Paris, Milão e Genebra. Mais do que uma conquista individual, essa circulação internacional representa uma oportunidade coletiva: a de mostrar que a cultura brasileira, quando recebe espaço, planejamento e investimento, tem muito a dizer ao mundo.

Protagonismo feminino em diferentes idiomas e territórios

O propósito do movimento “Vem pro palco” é defender que toda mulher pode ser protagonista da própria história, e não apenas espectadora dela.1 Essa mensagem dialoga diretamente com a minha trajetória e com o trabalho que desenvolvo diariamente.

O protagonismo, para mim, não significa ausência de medo ou uma vida sem dificuldades. Significa reconhecer a própria voz, assumir responsabilidade pelas escolhas possíveis e transformar experiências em presença, conhecimento e ação. É nesse sentido que vejo a escrita: como uma forma de elaborar, compartilhar e abrir caminhos.

A turnê reunirá lançamentos, palestras, autógrafos, networking e experiências culturais. Em Paris, o encontro acontecerá na Société d’Agriculture de la Généralité de Paris, instituição histórica fundada em 1761, próxima ao Musée d’Orsay. Em Milão, o lançamento será realizado no Restaurante Batukada. O encerramento ocorrerá em Genebra, no Museu da Cruz Vermelha, dentro do evento “Desperta-te na tua expressão”.1

Cada cidade acrescentará uma camada à experiência. Cada encontro será uma oportunidade de conexão. E cada livro levado para a Europa carregará não apenas palavras, mas também a identidade, a sensibilidade e a força de mulheres que decidiram ocupar novos espaços.

Um convite para transformar a própria história

Ser selecionada para o “Vem pro palco” é uma honra e, ao mesmo tempo, um chamado. Um chamado para continuar escrevendo, compartilhando e acreditando que uma história difícil não precisa definir todo o nosso futuro.

Se todos nós temos uma história triste, também temos a possibilidade de escolher o que faremos com ela. É essa reflexão que desejo levar aos leitores durante o lançamento do meu livro e é essa mensagem que espero que alcance cada pessoa que se reconhecer em suas páginas.

A literatura nos permite viajar sem abandonar as nossas raízes. Neste projeto, viajarei para a Europa levando comigo a minha história, o meu trabalho, o meu livro e o nome de Juiz de Fora. Que essa seja apenas uma das muitas pontes que ainda construiremos entre as nossas narrativas e o mundo.

“História Triste Todo Mundo Tem. O Que Você Faz com a Sua?”

Essa é a pergunta que me acompanha — e que agora seguirá comigo até Paris e Milão.

Da ideia ao autografo 18
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