Coração Partido: Quando a Dor Emocional se Torna Real

O ‘coração partido’ é mais que uma simples metáfora. Para muitas mulheres, essa expressão carrega o peso de dores que vão além do campo emocional, manifestando-se no corpo e na alma com uma intensidade avassaladora. Com a aproximação do Dia dos Namorados, enquanto algumas celebram o amor, outras enfrentam o peso da solidão, de memórias dolorosas ou de relacionamentos que mais aprisionam do que libertam.

Você já se sentiu assim? Com aquela sensação de vazio no peito, como se algo tivesse sido arrancado de você? Não está sozinha. Cerca de 30% das mulheres brasileiras já foram vítimas de violência doméstica ou familiar provocada por um homem, segundo a 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher do Senado Federal. E o mais alarmante: 29% das mulheres que sofreram alguma conduta agressiva sequer se reconheceram como vítimas de violência.

A dor silenciosa de um relacionamento abusivo muitas vezes passa despercebida, até mesmo por quem a sente. Como uma ferida invisível, ela corrói a autoestima, a confiança e a capacidade de reconhecer o próprio valor. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que mais de 21 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão nos últimos 12 meses – o maior percentual da série histórica da pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil”.

A Violência Silenciosa que Quebra Corações

Entre as diversas formas de abuso às quais uma mulher pode ser submetida, a psicológica é uma das mais sutis e devastadoras. Sem marcas físicas visíveis, ela se instala lentamente, como um veneno que vai minando a força interior. Até setembro de 2023, tramitavam no país quase 12 mil processos de violência psicológica, segundo o Conselho Nacional de Justiça.

A violência psicológica pode incluir ameaças, constrangimentos, humilhações, manipulações, ridicularizações, intimidações, chantagens e limitações do direito de ir e vir. Como resultado, as vítimas desenvolvem danos emocionais significativos: hipervigilância, dor crônica, angústia, incapacidade de tomar decisões, perda de concentração e memória. Nos casos mais graves, podem surgir quadros de estresse pós-traumático, depressão e ansiedade.

O controle exercido pelo parceiro abusivo começa de forma sutil – tarefas, despesas, relações sociais, comportamentos – e vai se intensificando até o isolamento completo da mulher de seus amigos e familiares. “Na época, eu estava fazendo doutorado, mas não pude concluir por conta de tudo o que estava vivendo”, relatou Carmen, uma profissional liberal de 31 anos, ao CNJ, sobre sua experiência em um relacionamento abusivo que durou quase 10 anos.

Quando o Coração Realmente Dói

A dor de um coração partido não é apenas emocional – ela pode se manifestar fisicamente. A Síndrome do Coração Partido, também conhecida como cardiomiopatia induzida por estresse ou síndrome de Takotsubo, é caracterizada por sintomas que se assemelham a um infarto do miocárdio, embora não haja obstrução das coronárias. Entre os sintomas estão dor no peito, falta de ar, palpitações e até desmaios repentinos.

“Durante um episódio, o ventrículo esquerdo do coração sofre uma paralisia no ápice e no centro, que o deixa sem força para desempenhar sua função adequada. Esse quadro é desencadeado pela exposição excessiva a hormônios do estresse, como a adrenalina, que são produzidos quando somos submetidos a fortes emoções”, explica o cardiologista Gabriel Gonzalo, do Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês.

Um estudo realizado pela Sociedade Britânica Cardiovascular aponta que 42% das pessoas que não possuem um parceiro têm mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares. E as mulheres são as mais afetadas: estima-se que de 1% a 4% das pessoas afetadas pela Síndrome do Coração Partido possam evoluir para óbito, especialmente quando não tratadas.

“Alterações hormonais, especialmente durante a menopausa, quando ocorre a diminuição da produção de estrogênio, um hormônio protetor do coração, podem contribuir para essa maior suscetibilidade. Além disso, as mulheres tendem a apresentar maior sensibilidade ao estresse físico e emocional”, complementa o cardiologista.

O Ciclo da Repetição: Por Que Voltamos aos Mesmos Padrões?

“Um padrão de repetições em relacionamentos é como aquele filme que você já sabe o final, mas insiste em assistir”, explica a psicóloga e sexóloga Laís Melquíades à CNN Brasil. São comportamentos, escolhas ou dinâmicas emocionais que aparecem repetidamente em diferentes relações, muitas vezes sem que você perceba.

Na prática, é como escolher parceiros com o “mesmo pacote de características”, como a falta de disponibilidade emocional, ou repetir situações tóxicas que só reforçam sentimentos de rejeição, abandono ou dependência. Você já se perguntou por que sempre acaba em relacionamentos com pessoas que têm características semelhantes, mesmo quando essas características lhe causam sofrimento?

Segundo Larissa Fonseca, psicóloga clínica, os padrões de repetição em relacionamentos podem ter origem em experiências vivenciadas na infância, como vínculos disfuncionais ou a sensação de ausência dos papéis parentais. “Por exemplo, a pessoa pode ter sofrido abandono parental e estar em relações em que a ‘migalha’ afetiva e a carência prevalecem”, explica.

A Teoria do Apego, criada pelo psicólogo britânico John Bowlby, ajuda a explicar como recriamos dinâmicas familiares conhecidas, mesmo que disfuncionais, porque são vistas como “familiares” e, portanto, comuns. Além disso, crenças limitantes como “não ser suficiente” ou “preciso me sacrificar e sofrer para ter amor” podem explicar as escolhas de padrões disfuncionais.

É como se estivéssemos usando óculos distorcidos pelos quais enxergamos o mundo, influenciando nossas escolhas e atitudes. Alguém que acredita que “não é digno de amor” ou que “sempre será abandonado” pode acabar, sem querer, escolhendo parceiros que confirmem essas ideias – envolvendo-se com pessoas emocionalmente indisponíveis, evitando se abrir por medo de se machucar ou tentando controlar a relação para se sentir mais seguro.

Transformando a Dor em Cura: O Caminho para o Autoamor

A partida de alguém – em qualquer circunstância – pode gerar em nós um grande vazio. Sentir isso é normal diante das vivências que tivemos, mas existe um momento em que essa dor precisa ir embora. Se você está se sentindo assim, pode ser que esteja com sua “alma partida” e, saiba, que é possível se restabelecer através de terapias.

Encontrar as origens da dor e ressignificá-la é o melhor caminho para voltar a sentir-se “inteira”. O processo de cura começa com o autoconhecimento – identificar os padrões repetitivos, reconhecer as crenças limitantes e compreender como experiências passadas influenciam suas escolhas atuais.

A psicoterapia é uma ferramenta poderosa nesse processo. Um terapeuta capacitado pode ajudar a identificar os padrões disfuncionais, trabalhar o fortalecimento da autoestima e desenvolver estratégias para estabelecer relacionamentos mais saudáveis. Em alguns casos, quando o relacionamento se torna tóxico e abusivo, o divórcio ou o término pode ser um ato de amor próprio e o primeiro passo para a reconstrução.

Apesar de representar um desafio, romper com padrões ruins de relacionamentos é possível através do autoconhecimento e de uma rede de apoio. O primeiro passo é perceber esses comportamentos repetitivos e assumir que eles existem. Pergunte-se: “Que tipo de parceiro eu costumo escolher?” ou “Quais situações me fazem sentir insegura?”. Reconhecer é o início da mudança.

Depois disso, desafie essas crenças que você carrega. Será que faz sentido acreditar que “eu não sou digna de amor” ou que “as pessoas sempre vão embora”? Substituir essas ideias por evidências e pensamentos mais otimistas, como “Eu mereço ser amada” ou “Nem todas as pessoas vão me abandonar”, pode ser libertador.

O Amor que Começa em Você

O amor próprio é a base de qualquer relação saudável, inclusive para quem já está em um relacionamento ou casamento e quer fortalecer o vínculo, melhorar a comunicação e viver com mais leveza e conexão.

Se você está cansada de repetir padrões, sente medo de se entregar ou quer atrair relações mais conscientes para sua vida, saiba que é possível transformar essa realidade. O primeiro passo é olhar para dentro e reconhecer seu valor, independentemente de estar ou não em um relacionamento.

Para auxiliar nessa jornada de autodescoberta e transformação, convidamos você a participar do evento **Happy Hour Eleve-se | Autoamor**, um encontro especial sobre autoamor, para quem deseja se sentir bem consigo mesma, atrair um relacionamento saudável ou transformar a relação atual.

Neste espaço acolhedor e cheio de boas energias, você poderá vivenciar práticas de autoconhecimento e manifestação, conectando-se com sua essência e aprendendo a celebrar o amor mais importante: o que começa em você!

**Detalhes do evento:**
– Data: 07/06
– Horário: 16h às 19h
– Local: @cafeteriaperensin
– Contribuição: R$ 53 (com direito a um café, cappuccino ou um chopp 300ml)
– Inscrições: (32) 98809-4999

Além disso, você também pode agendar uma Sessão Integrativa individual, onde trabalharemos juntos essas questões e abriremos espaço para o amor fluir com mais verdade e equilíbrio. Entre em contato pelo mesmo número e saiba mais.

Lembre-se: seu coração partido pode ser restaurado. A cura começa quando você decide que merece mais do que migalhas de afeto e se abre para receber o amor verdadeiro – começando por você mesma.



**Fontes:**
– 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, Senado Federal (2023)
– Conselho Nacional de Justiça (CNJ), “Silenciosa e brutal, violência psicológica atinge milhares de mulheres no Brasil” (2023)
– Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Pesquisa “Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil” (2025)
– CNN Brasil, “Por que repetimos padrões ruins em relacionamentos?” (2025)
– Vida e Ação, “Síndrome do coração partido: o que isso tem a ver com a solidão?” (2023)
 

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